terça-feira, 10 março, 2026
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Idosos superam jovens no tempo diante das telas, aponta estudo

Pesquisas revelam que adultos mais velhos passam mais tempo conectados do que adolescentes, desafiando estereótipos sobre o uso excessivo de tecnologia

O que antes era visto como um comportamento típico entre adolescentes está se tornando cada vez mais comum entre os idosos. Um levantamento recente, divulgado pela The Economist, indica que os adultos com mais de 60 anos estão entre os principais consumidores de tecnologia digital, e que esse grupo etário já passa mais tempo diante de telas do que os jovens.

O dado surpreende em um contexto em que o debate sobre o vício em tecnologia costuma se concentrar nos mais jovens. Nos últimos anos, escolas têm proibido celulares, governos impõem restrições ao uso de redes sociais por menores de idade, e iniciativas parentais como o movimento “Infância sem smartphone” crescem ao redor do mundo. Contudo, um fenômeno paralelo tem ganhado força: o uso intensivo de dispositivos digitais entre os mais velhos.

A geração digital da terceira idade

Essa mudança de comportamento está relacionada à familiaridade crescente dos idosos com a tecnologia. Há uma década, apenas 20% dos americanos com mais de 65 anos possuíam smartphones. Hoje, esse número cresceu significativamente, especialmente entre os recém-aposentados que passaram boa parte da vida profissional conectados.

Segundo uma pesquisa da empresa GWI, os idosos já superam os jovens na posse de dispositivos como tablets, smart TVs, e-readers e computadores. Além disso, o uso de relógios inteligentes entre maiores de 65 anos também aumentou: cerca de 17% desse grupo já utilizam smartwatches, atraídos por funcionalidades voltadas à saúde, como eletrocardiogramas e detecção de quedas.

O tempo de exposição às telas reflete essa nova realidade. Dados do regulador britânico Ofcom mostram que, no Reino Unido, pessoas com mais de 65 anos passaram, em média, mais de três horas por dia online em 2024, metade do tempo registrado entre os jovens de 18 a 24 anos. No entanto, ao somar o uso de smartphones, tablets e a tradicional televisão, os idosos acabam superando os mais novos em tempo total diante das telas.

A tendência não se limita ao Reino Unido. Um estudo realizado na Coreia do Sul, país com alto índice de conectividade, apontou que 15% dos indivíduos entre 60 e 69 anos apresentavam sinais de possível dependência de smartphones. Na China, o uso excessivo foi associado a problemas de sono, enquanto no Japão, à redução da atividade física entre idosos.

Uso sem supervisão tem riscos

Com o crescimento do uso digital, surgem também novos desafios. Ao contrário dos adolescentes, os idosos não contam com supervisão ativa no uso de seus dispositivos. “Com os mais velhos, às vezes não há ninguém por perto para ajudar ou identificar um problema”, afirmou o psiquiatra Ipsit Vahia, da Harvard Medical School, à The Economist.

Além disso, essa faixa etária está mais exposta a riscos como fraudes digitais e gastos excessivos com “microtransações” em aplicativos e jogos. Aplicativos como o WhatsApp, amplamente usados por idosos em países de renda média e baixa, são também alvos recorrentes de golpistas.

O estereótipo do aposentado desconectado perde força à medida que a tecnologia redefine a rotina da terceira idade. Dados indicam que quase 20% das pessoas entre 55 e 64 anos já possuem consoles de videogame. A ideia de que a aposentadoria é sinônimo de descanso longe da tecnologia parece cada vez mais ultrapassada.

Por: Diogo Rodriguez

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