2025 chega com apostas e incertezas. O Drex vai entrar na vida dos brasileiros? As criptomoedas vão continuar subindo? Veja o que dizem os especialistas
Para descobrir quais seriam as 50 maiores tendências de 2025 e entender seu impacto para empresas, startups e investidores, a reportagem de Época NEGÓCIOS ouviu especialistas no Brasil e no exterior, consultou dezenas de relatórios de tendências e conferiu as principais discussões em eventos recentes de tecnologia. O resultado pode ser conferido em uma série de reportagens que teve início na segunda-feira (10) e continuará a ser publicada nos próximos dias. Confira a seguir as principais tendências na área de Futuro do Dinheiro.
* Este conteúdo foi publicado originalmente na revista de dezembro/janeiro. As 50 tendências serão divididas em 10 setores e apresentadas ao longo dos próximos dias aqui no site de Época NEGÓCIOS.
Carteiras digitais para todos
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Chegou a hora. Em 2025, após testes que devem durar até o final do primeiro semestre, o Drex – a nova moeda digital do Brasil – deve começar a ser implantado no país. “O foco é na democratização do acesso aos produtos financeiros e na criação de novos serviços”, diz Fabio Araujo (foto), coordenador do projeto no Banco Central (BC).
Inicialmente o Drex foi chamado de Real Digital, o que fez muita gente pensar que ele seria apenas uma versão da moeda nacional em um ambiente online. O Drex, no entanto, vai muito além: trata-se de uma plataforma blockchain que servirá como base para que empresas, instituições e pessoas físicas possam trocar ativos digitais por meio de contratos inteligentes.
Em uma modalidade chamada de pagamento condicionado será possível, por exemplo, comprar um automóvel e ver o dinheiro sair da conta no mesmo instante em que a transferência for registrada. O cliente também poderá oferecer suas aplicações financeiras como parte da garantia de um empréstimo sem precisar sacar; o ativo fica rendendo durante o período de pagamento.
O Drex tende a gerar mais eficiência, reduzir a burocracia e os custos, o que pode baratear as taxas cobradas pelos bancos e também criar novos modelos de negócio. Para acessar a Plataforma Drex, os usuários precisarão de um intermediário autorizado, como um banco, que fará a transferência de valores para suas carteiras digitais.
Nova era para as criptomoedas
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Depois da vitória de Donald Trump, que usou as moedas digitais como instrumento de campanha nas eleições americanas, 2025 pode ser o ano em que a criptomoeda ganhe uma nova estrutura regulatória nos Estados Unidos – fazendo com que o resto do mundo siga o exemplo, na visão de especialistas ouvidos pela Nasdaq. A mudança deve começar com uma redução da intervenção da SEC (Securities and Exchange Commission) no setor, o que pode abrir caminho para novos investimentos e modalidades.
Caso os ativos cripto realmente se tornem uma prioridade estratégica, é possível que os EUA criem uma reserva de bitcoins. Se quiser competir, a China terá que reverter sua proibição de criptomoedas, em vigor desde o final de 2021. Mas nada disso, claro, está garantido. Não se sabe ao certo se o presidente eleito cumprirá suas promessas em relação à moeda digital, lembram os analistas.
E, embora o valor do bitcoin tenha chegado a US$ 99,6 mil em novembro, sabe-se que os preços das criptomoedas são altamente suscetíveis a eventos globais. Projetos fraudulentos de criptomoedas como o FTX também derrubaram os preços nos últimos anos. E é possível que a febre por criptomoedas do final de 2024 torne o mercado ainda mais volátil.
IA como gestora de investimentos
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O uso de robôs para ajudar os clientes a tomar decisões de investimento já é tendência há alguns anos, mas em 2025 vai ganhar novos contornos. Quem se acostumou a usar sistemas de gestão financeira como Betterment, Wealthfront, Vanguard ou Revolut verá seus programas ganharem novas funcionalidades graças aos avanços da IA. A tecnologia permitirá que os “robôs” façam análise de dados, sejam capazes de prever tendências de mercado e antecipar estratégias de investimento, democratizando um serviço que antes era restrito apenas a quem podia pagar por gestores de investimento.
Esses profissionais, por sinal, continuarão a exercer um papel importante nas organizações. A razão para isso, segundo Thomas Moore, CEO da Betterment, é que há dois tipos de clientes. “Existem aqueles que querem resolver tudo sozinhos, com a ajuda da máquina, e os que preferem conversar com uma pessoa de carne e osso”, disse ele, em entrevista recente à CNBC.
“Uma das principais tendências é o uso de agentes de IA para ajudar esses gestores a montarem opções hiperpersonalizadas para os clientes”, diz Marina Mansur, especialista da McKinsey. O HSBC, por exemplo, vai usar IA generativa para analisar os hábitos financeiros individuais de cada cliente, ajudando os profissionais em suas recomendações.
Pagamentos por biometria
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Muita gente já se acostumou a usar a impressão digital para abrir seus telefones, acessar aplicativos de banco e destrancar as portas da frente da casa. Empresas e governos usam autenticação biométrica para restringir o acesso a áreas sensíveis. Mas em 2025 esse tipo de identificação irá migrar para outras áreas, como os aplicativos em geral e, mais notadamente, para os pagamentos.
Para especialistas em cibersegurança, a transição vai significar o fim de golpes que usam PINs e senhas para obter dados do usuário. Pode eliminar também a necessidade de decorar (ou anotar) coleções de letras, números e símbolos sem fim. De acordo com um Relatório de Segurança da Verizon, 81% de todas as violações de dados estão associadas a um “gerenciamento de senhas ruim”.
O banco JP Morgan Chase expandiu recentemente sua parceria com a PopID para “implantar pagamentos biométricos piloto para comerciantes americanos”, segundo a empresa. A Amazon usa o Amazon One, um dispositivo de digitalização da palma da mão, em suas lojas Go e algumas unidades do Whole Foods Market. E a Mastercard já anunciou que deve eliminar cartões de crédito físicos e senhas até 2030 – eles serão substituídos por identificações biométricas.