Iniciativa financiada pela Iniciativa Internacional para o Clima terá foco em políticas públicas e indústria sustentável.
O Brasil deu início a uma nova etapa na agenda de desenvolvimento industrial sustentável com o lançamento do projeto de cooperação internacional “Ação climática e de biodiversidade por meio de soluções de economia circular” (CB-ACES). A iniciativa foi apresentada oficialmente em evento realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria, em São Paulo (SP), reunindo representantes do governo federal, setor produtivo, instituições financeiras, academia e organizações da sociedade civil.
Financiado pela Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente da Alemanha (BMUKN), o projeto será implementado ao longo de cinco anos no Brasil, México e África do Sul. A proposta busca integrar ações de mitigação da mudança climática e conservação da biodiversidade por meio da adoção de soluções de economia circular em cadeias produtivas estratégicas.
A economia circular propõe a redução do desperdício, a reutilização de materiais, o aumento da eficiência no uso de recursos naturais e a incorporação de inovação tecnológica nos processos produtivos. Ao alinhar essa abordagem às políticas de clima e biodiversidade, o CB-ACES pretende ampliar a escala de impacto ambiental positivo, ao mesmo tempo em que fortalece a competitividade industrial.
Coordenação federal e cooperação internacional
No Brasil, a coordenação federal do projeto está sob responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A implementação será conduzida pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), em parceria com o grupo Adelphi Global e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
A presença de diferentes instituições reflete o caráter transversal do projeto, que articula políticas industriais, ambientais e de inovação. Além disso, a cooperação internacional com a Alemanha e os demais países participantes busca promover intercâmbio de conhecimento, compartilhamento de boas práticas e construção de instrumentos que possam ser replicados em outras economias.
Representando a Embaixada da Alemanha no Brasil, o adido de Assuntos Ambientais e Climáticos, Timon Lepold, destacou que o apoio alemão está voltado ao fortalecimento de políticas públicas e instrumentos capazes de impulsionar investimentos verdes e cadeias produtivas mais resilientes. Segundo ele, a iniciativa conecta de forma prática ação climática e conservação da biodiversidade.
Políticas públicas, capacitação e projetos-piloto
O CB-ACES foi estruturado em quatro eixos principais: fortalecimento de políticas públicas, capacitação técnica, implementação de projetos-piloto e estímulo a investimentos em economia circular, com ênfase em pequenas e médias empresas (PMEs).
Entre as metas estabelecidas estão o desenvolvimento de estruturas integradas de políticas públicas para economia circular, a consolidação de instrumentos regulatórios e financeiros, o estabelecimento de modelos de negócios sustentáveis e a ampliação da circularidade em setores industriais prioritários.
Durante o evento de lançamento, a secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cruz, afirmou que a economia circular integra a agenda de modernização industrial brasileira. Segundo ela, o desafio é transformar o conceito em instrumentos concretos que gerem produtividade, inovação e descarbonização para as cadeias produtivas.
Já o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf, ressaltou que a incorporação da economia circular às políticas de clima e biodiversidade permite reduzir emissões de gases de efeito estufa, diminuir a pressão sobre recursos naturais e proteger ecossistemas.
Apoio técnico e fortalecimento das PMEs
De acordo com o representante da UNIDO no Brasil, Clovis Zapata, o projeto foi concebido para apoiar a transição verde desde a fase de planejamento até a execução prática. A proposta combina cooperação técnica com empresas, capacitação institucional e mecanismos para atrair investimentos voltados à economia circular.
O foco nas PMEs é considerado estratégico, uma vez que essas empresas representam parcela significativa da indústria nacional. O projeto prevê apoio técnico e facilitação de acesso a financiamento, buscando ampliar oportunidades de inclusão produtiva e fortalecer a competitividade do setor.
O gerente de Negócios de Inovação e Tecnologia do Senai, Maicon Lacerda, destacou que a instituição atuará na aproximação entre diretrizes públicas e a realidade das empresas, oferecendo conhecimento aplicado e suporte técnico para transformar orientações estratégicas em projetos concretos com potencial de escala.
Diagnóstico e financiamento verde
A programação do lançamento incluiu a formação de grupos de trabalho para identificar desafios e oportunidades no setor industrial, mapear segmentos com maior potencial para projetos-piloto e discutir mecanismos de financiamento verde. As contribuições servirão de base para a fase preparatória do projeto.
Segundo o especialista em desenvolvimento industrial da UNIDO, Matthias Pfaff, essa etapa inicial envolve a realização de diagnóstico de base, análises de riscos ambientais e sociais e consultas a diferentes partes interessadas para identificar lacunas setoriais. O objetivo é consolidar um desenho robusto do projeto, com definição de marcos institucionais, estruturação de um portfólio de projetos-piloto e elaboração de propostas aptas a captar recursos junto a instituições financeiras.
Entre os resultados esperados estão a adoção mais consistente da economia circular em políticas climáticas e de biodiversidade, o aumento da circularidade em cadeias de valor industriais e a expansão de investimentos alinhados à transição verde.
Com o lançamento do CB-ACES, o Brasil passa a integrar uma estratégia internacional voltada à aceleração de soluções circulares na indústria. A iniciativa reforça a convergência entre desenvolvimento econômico, inovação tecnológica, ação climática e conservação ambiental, posicionando a economia circular como um dos pilares da modernização industrial no país.
Fonte: ONU
Por: Redação Portal Sustentabilidade


