quinta-feira, 22 outubro, 2026
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Tesla começa a produzir robô humanoide Optimus em sua fábrica de carros na Califórnia

Empresa diz que primeiras unidades têm qualidade de produção comercial, mas Musk admite que ainda precisa resolver problemas de segurança, durabilidade e inteligência artificial

A Tesla começou a produzir o robô humanoide Optimus em sua fábrica de Fremont, na Califórnia. A operação ocupa um espaço anteriormente dedicado à fabricação de carros elétricos e marca a tentativa da companhia de transformar o projeto, apresentado pela primeira vez em 2021, em um produto comercial.

“Os robôs que estão saindo dessa linha são os primeiros com qualidade de produção que fabricamos”, afirmou a empresa no relatório do terceiro trimestre, divulgado na quarta-feira (21). Segundo a Tesla, o processo atual já se mostrou adequado para um produto comercial, embora o projeto do robô e a própria fabricação continuem passando por mudanças.

O documento classifica a operação na Califórnia como uma etapa inicial de expansão. A companhia não informou quantas unidades já foram produzidas, o ritmo atual da linha nem o custo de fabricação de cada robô.

Durante a teleconferência de resultados, Elon Musk procurou conter as expectativas. O presidente executivo da Tesla afirmou que a expansão será lenta e irregular porque o Optimus é um produto radicalmente novo. Segundo ele, ainda há alterações a fazer no desenho da máquina para que ela seja segura, confiável e capaz de trabalhar por longos períodos sem se desgastar.

Musk também reconheceu que resta “bastante trabalho” na inteligência artificial para que o Optimus consiga desempenhar tarefas abertas, aquelas que não seguem sempre a mesma sequência nem acontecem em um ambiente totalmente controlado.

Produção começa antes de o projeto ficar pronto

A fabricação de um robô humanoide impõe à Tesla uma dinâmica diferente daquela de um automóvel já desenvolvido. A empresa precisa produzir unidades, testar componentes, corrigir o desenho e treinar a inteligência artificial ao mesmo tempo.

Musk afirmou que seria preciso acertar cerca de 10 mil elementos para fazer a linha avançar e que o ritmo será determinado pelo componente ou processo mais lento. A Tesla também precisa construir uma cadeia mundial de fornecedores para peças que ainda não são produzidas na escala exigida por um produto de massa.

A mão robótica continua entre os principais desafios. Ela precisa reunir motores, sensores e articulações capazes de manipular objetos delicados, mas também resistir ao uso repetitivo em fábricas e outros ambientes de trabalho.

Na transcrição da teleconferência publicada pela TradingKey, Musk afirma que a maior parte dos equipamentos de uma linha projetada para fabricar até 1 milhão de unidades por ano já foi instalada em Fremont. Capacidade instalada, porém, não equivale ao volume efetivamente produzido.

O executivo prevê que a Tesla levará ao menos um ano, e possivelmente mais, para alcançar um ritmo anualizado de 20 mil robôs por semana. A empresa espera começar a entregar unidades para clientes externos no fim de 2027, desde que consiga avançar no desenho eletromecânico, na confiabilidade, na vida útil e na inteligência artificial.

As primeiras aplicações comerciais devem se concentrar em atividades industriais perigosas ou repetitivas. Antes de vender o Optimus a outras companhias, a Tesla pretende empregar os robôs em suas próprias operações.

O relatório trimestral também informa que uma segunda estrutura de fabricação do Optimus está em construção no Texas. A estratégia indica que a companhia prepara capacidade industrial antes de concluir todas as etapas de desenvolvimento do produto.

A aposta cresce enquanto o lucro cai

O início da produção acontece em um trimestre de forte aumento dos gastos da Tesla. As despesas operacionais cresceram 39% na comparação anual, para US$ 4,776 bilhões. A companhia atribuiu a alta principalmente a investimentos em inteligência artificial e outros projetos de pesquisa e desenvolvimento, remuneração em ações e despesas administrativas.

O lucro líquido atribuível aos acionistas caiu 43%, de US$ 1,373 bilhão no terceiro trimestre de 2025 para US$ 787 milhões no mesmo período de 2026. A receita ficou praticamente estável, em US$ 28,046 bilhões.

A queda do lucro não pode ser atribuída integralmente ao Optimus. A Tesla também investe em direção autônoma, robotáxis, fabricação de chips, baterias e expansão de outras linhas industriais. A receita com créditos regulatórios diminuiu, e a companhia registrou aumento de custos em diferentes áreas.

A mudança ajuda, porém, a dimensionar a aposta. A Tesla ainda depende principalmente da venda de carros, mas direciona uma parcela crescente de seus recursos para negócios que Musk apresenta como futuros motores da empresa, entre eles robótica e inteligência artificial.

O TechCrunch observou que a produção do Optimus começou justamente quando os investimentos nesses projetos pressionam os resultados da companhia. A Tesla afirma que, com o tempo, pretende combinar o lucro obtido com hardware às receitas geradas por software, serviços e frotas autônomas.

Musk voltou a prever que o Optimus poderá se tornar o maior produto da Tesla e, em sua avaliação, o maior produto do mundo. A empresa ainda não apresentou contratos com compradores externos, preço, volume produzido ou prazo firme para o início das vendas. No quadro de capacidade industrial do relatório trimestral, o espaço reservado ao Optimus na Califórnia traz apenas duas informações: “expansão inicial” e nenhuma capacidade declarada.

Foto: Reprodução/X

Por: Época Negócios

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