País ocupa a 53ª colocação entre 139 economias em 2026
O Brasil caiu uma posição no ranking global de inovação e passou a ocupar a 53ª colocação entre 139 economias em 2026. O resultado, divulgado nesta terça-feira pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Wipo/Ompi), representa o terceiro recuo consecutivo do País desde 2023, quando havia alcançado a 49ª posição no Global Innovation Index (GII).
A queda ocorre depois de um período de avanços no ranking. Em 2020, o Brasil ocupava a 62ª colocação e chegou ao 52º lugar em 2025. Apesar de a posição atual ainda ser melhor do que a registrada no início da década, os dados mais recentes indicam uma perda de ritmo na trajetória de aproximação das economias mais inovadoras.
A própria Wipo inclui o Brasil entre as economias que mais avançaram desde 2019. O desafio, portanto, está em sustentar os ganhos acumulados e transformar os resultados obtidos em diferentes áreas em um desempenho mais amplo e consistente.
A análise dos sete pilares que compõem o índice ajuda a explicar o cenário. Entre 2020 e 2025, o comportamento brasileiro foi desigual. Em Instituições, o País passou da 82ª para a 107ª posição, uma perda de 25 posições e o pior resultado entre os sete pilares. Na edição de 2025, esse já era, com grande diferença, o componente em que o Brasil apresentava a pior colocação.
O movimento contrasta com o desempenho em outras dimensões. Em Capital humano e pesquisa, o Brasil passou da 49ª posição em 2020 para a 48ª em 2025. Em Infraestrutura, avançou da 61ª para a 60ª colocação. Nos dois casos, as mudanças foram pequenas e não alteraram de forma significativa a posição relativa do País.
Em Sofisticação de mercado, por outro lado, houve uma evolução mais expressiva. O Brasil saiu da 91ª posição em 2020 para a 71ª em 2025, indicando uma melhora nas condições relacionadas a mercado e financiamento associados à inovação.
Já em Sofisticação de negócios, o movimento foi negativo. O País passou da 35ª colocação em 2020 para a 39ª em 2025. Apesar da perda de quatro posições, o pilar continua sendo o mais bem colocado entre os sete componentes avaliados para o Brasil. A Wipo considera, nessa dimensão, indicadores relacionados a trabalhadores do conhecimento, conexões para inovação e absorção de conhecimento.
Nos pilares ligados aos resultados da inovação, o desempenho brasileiro foi mais favorável. Em Conhecimento e tecnologia, o País avançou da 56ª posição em 2020 para a 50ª em 2025. A avaliação considera aspectos relacionados à produção de conhecimento, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento e capacidades acadêmicas e empresariais.
O maior avanço ocorreu em Criatividade. O Brasil saiu da 77ª posição em 2020 para a 50ª em 2025, uma melhora de 27 posições. Naquele ano, Conhecimento e tecnologia e Criatividade colocaram o País na 50ª posição mundial nos dois pilares, mostrando um desempenho dos resultados de inovação superior ao observado em algumas das condições estruturais que os sustentam.
O cenário cria um contraste entre evolução e perda de ritmo. Entre 2020 e 2025, o Brasil avançou dez posições no ranking geral, de 62º para 52º, e melhorou em cinco dos sete pilares. Ao mesmo tempo, a queda de 25 posições em Instituições ampliou a diferença entre os componentes do sistema nacional de inovação.
A posição brasileira também precisa ser observada no contexto regional. Em 2026, o Chile permanece como a economia mais bem posicionada da América Latina, enquanto o Caribe aparece na 51ª colocação e o Brasil, na 53ª. O Uruguai avançou do 68º lugar em 2025 para o 66º em 2026, e a Costa Rica passou da 72ª para a 70ª posição.
Enquanto Brasil, Uruguai e Costa Rica apresentaram trajetórias diferentes no período, outros países da região tiveram movimento contrário. O México caiu da 58ª colocação em 2025 para a 65ª em 2026. A Wipo aponta ainda que os ativos de inovação da América Latina e do Caribe permanecem concentrados em poucas economias e que pesquisa, empreendedorismo e acesso ao mercado ainda não estão suficientemente conectados para formar um motor regional de inovação.
Apesar da queda no ranking geral, o Brasil mantém alguns indicadores relevantes. A Wipo destaca a base científica e de pesquisa e desenvolvimento do País, a atividade relacionada a marcas e o mercado de venture capital em estágios mais avançados. São Paulo também permanece entre os 100 maiores clusters mundiais de inovação, ocupando a 49ª posição em 2026.
O Brasil também continua sendo a única economia da América Latina e do Caribe cujo desempenho em inovação está acima do esperado para seu nível de desenvolvimento. A condição é mantida pelo sexto ano consecutivo.
Os resultados dos últimos anos mostram, portanto, que o principal desafio não está apenas na capacidade de produzir conhecimento e resultados criativos. O País apresentou avanços em áreas como Criatividade, Conhecimento e tecnologia e Sofisticação de mercado, mas perdeu posições em Instituições, criando um desequilíbrio entre os resultados gerados pelo ecossistema de inovação e as condições estruturais que dão suporte a esse processo.
A 53ª posição no GII 2026 não elimina os avanços acumulados desde o início da década, mas interrompe, pelo terceiro ano consecutivo, a trajetória de melhora observada até 2023. Para voltar a avançar no ranking, o Brasil terá de preservar os ganhos registrados em inovação e, ao mesmo tempo, reduzir as diferenças entre seus resultados e as condições institucionais que sustentam esse desempenho.
Por: Redação Mercado & Consumo


