terça-feira, 15 setembro, 2026
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Headset que trata depressão em casa estimula o cérebro por 30 minutos ao dia e já é vendido nos EUA

Aprovado pela FDA e disponível sob prescrição, aparelho custa US$ 2.200 pelas primeiras dez semanas e US$ 325 por mês depois; em estudo clínico, 45% dos pacientes tiveram remissão.

Um headset vestível criado pela empresa sueca Flow Neuroscience começou a ser vendido nos Estados Unidos por prescrição médica como tratamento não farmacológico para depressão. O aparelho recebeu aprovação da Food and Drug Administration (FDA) em 8 de dezembro de 2025, segundo documento da própria agência regulatória americana, e chega a um mercado em que mais de um em cada seis adultos do país toma antidepressivos, segundo reportagem da revista americana Wired.

O dispositivo, batizado FL-100, é usado por 30 minutos diários e envia uma corrente elétrica de baixa intensidade ao córtex pré-frontal, região do cérebro ligada à regulação do humor e das respostas ao estresse. Pessoas com depressão costumam apresentar atividade reduzida e conexões neurais mais fracas nessa área.

Uma alternativa mais barata que a estimulação em clínica

A tecnologia usada pelo FL-100, a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC), atua na mesma região do cérebro que a estimulação magnética transcraniana (EMT), tratamento já aprovado contra depressão mas realizado em consultório. Um ciclo completo de EMT pode custar até US$ 15 mil sem cobertura de seguro, com sessões cinco vezes por semana durante várias semanas.

O diretor executivo da Flow, Daniel Månsson, psicólogo clínico antes de cofundar a empresa, diz ter buscado reduzir essa barreira de acesso. “É preciso ter o efeito necessário no cérebro, mas de forma segura em casa”, afirmou à Wired.

A aprovação da FDA se baseou em um ensaio clínico com 174 pacientes com transtorno depressivo maior, publicado na Nature Medicine em outubro de 2024. Ao final de dez semanas, 45% dos participantes que usaram o dispositivo ativo apresentaram remissão dos sintomas, contra 22% no grupo que recebeu uma versão simulada do aparelho. O estudo incluiu pacientes em uso de antidepressivos e pacientes sem medicação, o que respalda o uso combinado com remédios sob supervisão médica.

Os efeitos colaterais relatados foram leves, como irritação na pele, dor de cabeça e dificuldade de concentração. Antidepressivos, por comparação, podem causar náusea, ganho de peso, sonolência, boca seca e disfunções sexuais, sintomas que costumam diminuir após algumas semanas de uso.

Expansão na Europa e aposta de investidores

Na Europa, onde o dispositivo é vendido desde 2019, mais de 65 mil pessoas já o usaram, segundo a empresa. O serviço nacional de saúde do Reino Unido, o NHS, testa o headset em projeto piloto.

Nos Estados Unidos, pacientes poderão obter a prescrição em consulta presencial ou por telemedicina, mas o custo inicial ainda é alto: US$ 2.200 pelas primeiras dez semanas de tratamento e US$ 325 por mês depois disso. Segundo Månsson, a empresa negocia reembolso com operadoras de seguro-saúde americanas.

O bilionário Vinod Khosla, investidor de capital de risco e um dos primeiros a apostar na Flow, defende tratamentos não farmacológicos. “Quem toma remédio para depressão prefere não depender dele, e quer alternativa não química”, disse à Wired.

A aposta ocorre em um mercado que deve crescer. Um estudo publicado em dezembro de 2025 no International Journal of Population Data Science projeta que o custo econômico anual da depressão maior nos Estados Unidos, somando gastos com saúde e perdas de produtividade, deve superar US$ 540 bilhões em 2030.

Foto: Flow Neuroscience

Por: Diogo Rodriguez

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