quarta-feira, 08 julho, 2026
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Google está bancando um “sol artificial” na Europa

Startup alemã recebe €411 milhões para desenvolver reator experimental e tentar colocar a Europa na liderança de uma nova tecnologia

Anunciado nesta terça-feira (7), a empresa alemã Proxima Fusion recebeu apoio financeiro do Google em uma rodada de investimentos de €411 milhões, equivalente a US$ 468 milhões. O aporte faz parte de uma estratégia para acelerar o desenvolvimento de uma futura usina comercial de fusão nuclear no continente europeu, tecnologia que ganhou o apelido de “sol artificial” por buscar reproduzir na Terra o processo energético que ocorre no interior das estrelas.

A startup, avaliada em US$ 2,7 bilhões após a captação, pretende construir uma planta baseada na tecnologia stellarator, uma das abordagens estudadas para viabilizar a geração de energia por fusão. A companhia espera colocar em operação um equipamento demonstrador no início da década de 2030, antes da eventual usina comercial prevista para o fim daquele período.

O investimento ocorre em meio à corrida global pelo domínio da fusão nuclear, uma tecnologia que promete produzir energia abundante e sem emissão de carbono, mas que ainda enfrenta desafios técnicos antes de alcançar escala comercial.

Proxima Fusion aposta em tecnologia stellarator para avançar na fusão nuclear

A rodada de financiamento da Proxima Fusion foi liderada pela XTX Ventures e pela East X Ventures, com participação estratégica do Google e da empresa de energia RWE. Também entraram no grupo de investidores fundos como Plural, UVC Partners, Balderton e Cherry Ventures.

De acordo com a empresa, os novos recursos serão destinados ao aumento da produção de cabos e ímãs supercondutores de alta temperatura, além do desenvolvimento de sistemas de engenharia e fabricação necessários para a construção de dispositivos stellarator.

A fusão nuclear funciona pela união de dois átomos de hidrogênio, que formam um átomo de hélio e liberam uma grande quantidade de energia. Diferentemente das usinas nucleares atuais, que utilizam a fissão, processo baseado na divisão de átomos, a fusão ainda não chegou a uma aplicação comercial.

O presidente-executivo e cofundador da Proxima Fusion, Francesco Sciortino, afirmou que a Europa disputa com os Estados Unidos e a China pela liderança no desenvolvimento da primeira usina de fusão nuclear.

Segundo o executivo, o financiamento demonstra que o continente europeu tem capacidade não apenas para criar tecnologias avançadas, mas também para formar empresas competitivas em escala global. Ele acrescentou que os investidores enxergam tanto a urgência quanto a oportunidade associadas ao desenvolvimento dessa tecnologia energética.

Startup europeia enfrenta concorrência de empresas americanas

Apesar de ser considerada a startup de fusão mais bem financiada da Europa, a Proxima Fusion ainda está atrás de algumas empresas norte-americanas em volume total de recursos captados.

A Commonwealth Fusion Systems (CFS), dos Estados Unidos, levantou US$ 863 milhões em uma rodada realizada em agosto do ano passado, acumulando US$ 2,9 bilhões em financiamento total. A empresa Helion Energy, apoiada por Sam Altman, recebeu US$ 465 milhões em uma captação recente e soma US$ 1,5 bilhão em investimentos.

O Google também investe na CFS e firmou com a companhia um acordo de compra futura de energia em junho de 2025, condicionado ao funcionamento da primeira usina comercial da empresa.

Em uma publicação sobre o setor, o Google destacou que a fusão nuclear pode representar uma fonte energética limpa, abundante e segura, mas ressaltou que transformar a tecnologia em uma solução comercial continua sendo um desafio de grande complexidade e sem garantia de sucesso.

Por: Wagner Edwards

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