ispace adiou para 2030 sua missão lunar ligada à NASA, cortará equipe e vai priorizar orbitadores após dois fracassos.
A startup japonesa ispace anunciou uma nova mudança de rota em sua ambição lunar. A empresa vai adiar para 2030 uma missão patrocinada pelo governo dos Estados Unidos e vinculada ao programa Serviços Comerciais de Carga Lunar, da NASA. O plano anterior previa lançamento em 2027. Porém, a companhia informou que vai reduzir sua equipe global e concentrar o desenvolvimento de pousadores lunares entre suas unidades do Japão e dos EUA.
A decisão chega após duas tentativas fracassadas de pouso na Lua e expõe um momento delicado para a empresa. O cenário também reflete a incerteza em torno da nova fase da política espacial dos EUA, que tenta ampliar missões comerciais e internacionais para levar astronautas à Lua antes da China.
Mudança de estratégia após seguidos tropeços
Com sede em Tóquio, a ispace afirmou (via Reuters) que vai reorganizar seus projetos lunares e empurrar a missão ligada à NASA em mais três anos. A empresa já havia feito adiamentos antes. Agora, a revisão se tornou mais ampla e veio acompanhada de um redesenho operacional.
No lugar de focar apenas no pouso lunar de curto prazo, a companhia disse que pretende lançar cinco orbitadores lunares até 2030. Esses veículos devem oferecer serviços de telecomunicações, navegação e observação da superfície. Ou seja, a ispace quer se posicionar também como fornecedora de infraestrutura para futuras atividades na Lua.
Cortes, custos e nova pressão financeira
A mudança deve trazer custos de vários milhões de dólares, segundo o diretor financeiro Jumpei Nozaki. Ele afirmou, em coletiva, que esse processo pode exigir nova captação via emissão de ações e também uma redução de algumas dezenas de funcionários.
No ano passado, a ispace tinha cerca de 300 empregados somando suas operações no Japão, nos Estados Unidos e em Luxemburgo. Desde sua estreia na Bolsa de Tóquio, em 2023, a empresa acumula prejuízos e viu o preço de suas ações cair. Esse histórico ajuda a explicar por que o novo anúncio tem peso maior do que um simples ajuste de calendário.
O que ainda vem pela frente
Apesar do atraso da missão ligada à NASA, a ispace mantém um terceiro voo em seu horizonte. A missão segue prevista para 2028 dentro do programa espacial comercial do governo japonês. Nela, a empresa pretende lançar o pousador lunar Ultra, capaz de transportar até 200 kg de carga útil até a Lua.
Esse detalhe importa porque mostra que a empresa não abandonou a meta de pousar no satélite natural. Ela apenas redistribuiu suas apostas entre pousadores e orbitadores, em uma tentativa de ganhar fôlego após os reveses.
Corrida lunar mais competitiva e confusa
Hoje, apenas duas empresas privadas conseguiram pousar na Lua, ambas dos Estados Unidos: Intuitive Machines e Firefly Aerospace. Ao mesmo tempo, a NASA anunciou nesta semana atualizações no programa Artemis, com planos para enviar até 30 missões não tripuladas à superfície lunar a partir do ano que vem.
Nozaki reconheceu que o novo cronograma da ispace vai na direção oposta ao esforço da NASA para acelerar missões em 2028 e 2029. Ainda assim, ele disse que a empresa busca um papel maior no programa americano como a única companhia privada fora dos EUA com tecnologia de pouso lunar.
Além disso, as mudanças no programa espacial sob o presidente Donald Trump também aumentaram a confusão entre empresas espaciais japonesas, que esperavam uma cooperação mais profunda entre EUA e Japão para fazer frente à China. Nesse ambiente instável, a ispace tenta se manter no jogo, mas com um plano bem mais cauteloso.
Por: Hemerson Brandão


