quinta-feira, 23 abril, 2026
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Por que o Bitcoin está em queda? Incertezas econômicas e volatilidade dos mercados explicam recuo de 40%

Principal criptomoeda do mundo recuou desde o pico de outubro, passando de US$ 126 mil para cerca de US$ 79 mil, refletindo momento de nervosismo nos mercados globais

O Bitcoin atravessa um período de turbulência. Nos últimos 12 meses, a maior criptomoeda do mundo registrou oscilações intensas e quedas significativas, contrastando com o desempenho de outros ativos tradicionais. Desde outubro de 2025, quando atingiu máxima histórica de US$ 126 mil, o Bitcoin despencou aproximadamente 40%, fechando janeiro em torno de US$ 79 mil.

Apenas na última semana, a criptomoeda perdeu cerca de 10% de seu valor, segundo reportagem da ABC News. Outras moedas digitais sofreram quedas ainda mais acentuadas: o Ethereum, segundo maior criptoativo, caiu quase 20% no mesmo intervalo, enquanto o Solana viu seu preço reduzido pela metade.

O que está por trás da queda?

Analistas consultados pela ABC News apontam que a queda do Bitcoin reflete um movimento mais amplo de aversão ao risco nos mercados financeiros. Incertezas econômicas e geopolíticas, provocadas pelas idas e vindas do governo Trump, têm levado investidores a reduzir exposição a ativos mais ousados.

“O preço das criptomoedas tende a cair quando os investidores buscam reduzir riscos”, afirmou Bryan Armour, diretor de pesquisa de estratégias passivas da Morningstar. “Isso pode ter precipitado o declínio, e então foi como uma bola de neve descendo a colina.”

Entre os fatores que pressionam o mercado estão a desaceleração do mercado de trabalho nos Estados Unidos, a inflação ainda acima da meta de 2% estipulada pelo Federal Reserve e tensões geopolíticas envolvendo Groenlândia, Venezuela, Ucrânia e Irã. Nas últimas semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas contra Canadá, Coreia do Sul e oito países europeus, o que ampliou o nervosismo dos investidores.

“Tudo o que vem acontecendo recentemente está definitivamente adicionando muita ansiedade no mercado”, disse Christian Catalini, fundador do MIT Cryptoeconomics Lab, à ABC News. “Qualquer coisa que torne os investidores avessos ao risco obviamente afeta o preço do Bitcoin.”

Bitcoin oscila, ouro dispara

Enquanto o Bitcoin acumulou queda de aproximadamente 7% entre fevereiro de 2025 e o fim de janeiro de 2026, segundo dados citados pelo Valor Investe, o índice S&P 500 subiu cerca de 16%, o Nasdaq avançou perto de 20%, e o ouro disparou mais de 60%, consolidando-se como porto seguro em momentos de incerteza.

A amplitude das oscilações do Bitcoin chama atenção: a criptomoeda alterna meses de alta expressiva, como abril (+14,2%) e maio (+11,1%), com recuos acentuados, como novembro (-17,5%) e janeiro (-10%). Enquanto isso, S&P 500 e Nasdaq permaneceram, na maior parte do tempo, em uma faixa mais estreita, entre aproximadamente -3% e +4% ao mês.

Nos momentos de maior estresse, o Bitcoin não funcionou como proteção de valor. Entre o pico de outubro (US$ 126 mil) e o fechamento de janeiro (US$ 79 mil), acumulou queda de quase 40%, movimento típico de ativos muito sensíveis à liquidez global. No mesmo intervalo, os principais índices acionários americanos tiveram oscilações bem mais moderadas.

Crise de identidade

O comportamento recente do Bitcoin revela que a criptomoeda atravessa uma fase de transição narrativa. A tese de “ouro digital” (que pressupõe proteção em momentos de estresse e baixa correlação com ativos de risco) não se confirmou neste intervalo.

“Os investidores, principalmente institucionais, estão em uma fase de decisão sobre qual categoria de ativo o Bitcoin deve ser encaixado”, observa Rony Szuster, analista-chefe do Mercado Bitcoin, ao Valor Investe. “Enquanto não houver consenso entre esses players, o BTC vai correlacionar ora com reservas de valor, ora com ativos de risco.”

O movimento inicial de queda pode ter forçado alguns compradores alavancados a liquidar suas posições, intensificando a pressão vendedora. Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers, disse à ABC News que há um limite natural para alta tão expressiva. “Há um limite natural para o quão alto pode subir”, afirmou.

Apesar das turbulências recentes, o Bitcoin mantém trajetória de longo prazo ascendente. Nos últimos cinco anos, o preço subiu 96%, superando os 80% de ganho do S&P 500 no mesmo período. Em fevereiro de 2022, a criptomoeda sofreu uma queda de mais de 60%, padrão que se repetiu nos dois anos anteriores durante a pandemia.

A volatilidade do Bitcoin torna praticamente impossível prever para onde o preço irá, afirma Armour, da Morningstar. “A melhor coisa que os investidores podem fazer se quiserem se envolver com Bitcoin é conhecer suas limitações”, disse à ABC News. “Eles não devem ter alta confiança em nenhum resultado específico.”

Por: Diogo Rodriguez

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