quinta-feira, 23 abril, 2026
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MIT cria técnica que pode transformar terapias com anticorpos em injeções rápidas

Método concentra grandes quantidades de anticorpos em partículas sólidas e pode substituir infusões intravenosas longas por aplicações simples de poucos mililitros

Engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, descobriram uma forma de facilitar o acesso de pacientes com câncer e outras doenças a tratamentos com anticorpos.

Até agora, essas terapias eram administradas por via intravenosa, devido aos grandes volumes necessários por dose – pelo menos 100 mililitros. Isso significa que a pessoa precisa ir a um hospital para receber cada infusão, que pode levar horas.

Mas a equipe do MIT, segundo o MIT News, desenvolveu uma maneira de criar partículas sólidas de anticorpos altamente concentrados, suspensas em uma solução. Essas partículas contêm anticorpos suficientes para que sejam necessários apenas cerca de 2 mililitros de solução por dose.

“Com o envelhecimento da população mundial, tornar o processo de tratamento mais conveniente e acessível para essas populações é algo que precisa ser abordado”, afirmou Talia Zheng, estudante de pós-graduação do instituto e principal autora do novo estudo.

O também autor Patrick Doyle, professor titular da cátedra Robert T. Haslam de Engenharia Química, desenvolveu em 2023 um método para gerar formulações de anticorpos altamente concentradas, encapsulando-as em partículas de hidrogel. O problema é que esse processo requer centrifugação, algo que seria difícil de ampliar para a produção em larga escala.

No novo estudo, conforme relatado pelo MIT News, os pesquisadores adotaram uma abordagem diferente que lhes permite criar gotículas suspensas em uma emulsão, semelhante à de óleo e vinagre. Nesse caso, gotículas contendo anticorpos dissolvidos em uma solução aquosa são suspensas em um solvente orgânico chamado pentanol.

Essas gotículas podem então ser desidratadas, deixando para trás anticorpos sólidos altamente concentrados — cerca de 360 ​​miligramas de anticorpo por mililitro de solução. Elas também incluem uma pequena quantidade de polietilenoglicol (PEG), um polímero que ajuda a estabilizar as partículas.

Quando as partículas sólidas são formuladas, o solvente orgânico que as envolve é removido e substituído por uma solução aquosa – água contendo sais dissolvidos e uma pequena quantidade de polímero estabilizador.

“Nossa primeira abordagem foi um pouco bruta, e quando estávamos desenvolvendo essa nova abordagem, dissemos que ela precisava ser simples para ser melhor e escalável”, observou Doyle.

Ele e seus colegas, utilizando partículas com 100 micrômetros de diâmetro, testaram a injetabilidade da solução usando um testador de força mecânica. Segundo eles, a força necessária para empurrar o êmbolo de uma seringa contendo a solução de partículas era inferior a 20 newtons.

“Isso representa menos da metade da força máxima aceitável que as pessoas normalmente buscam, então é muito fácil de injetar”, disse Zheng.

Posteriormente, utilizando uma seringa de 2 mililitros, conseguiram administrar mais de 700 miligramas do anticorpo alvo de uma só vez, quantidade suficiente para a maioria das aplicações terapêuticas.

O próximo passo da equipe é testar as partículas de anticorpos em modelos animais e aumentar a escala do processo de fabricação, para que possam produzir o suficiente para testes em larga escala.

Por: Renata Turbiani

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