quinta-feira, 23 abril, 2026
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Metade das praias do mundo pode desaparecer até 2100, alertam cientistas brasileiros e uruguaios

Estudo com participação brasileira aponta que erosão acelerada e urbanização costeira ameaçam ecossistemas e economias litorâneas

Cientistas alertam que até metade das praias do mundo poderá desaparecer até o fim deste século. A conclusão é de estudos coordenados por pesquisadores brasileiros e uruguaios, divulgados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e destacados no ScienceDaily.

A erosão costeira está sendo agravada por dois fatores principais: o aumento do nível do mar causado pelas mudanças climáticas e a crescente ocupação urbana nas zonas costeiras. Segundo o cientista marinho Omar Defeo, da Universidade da República (Uruguai), “quase metade das praias desaparecerá até o fim do século” se não houver ações coordenadas para conservação desses ecossistemas.

Como funcionam os sistemas costeiros e por que são vulneráveis

Os sistemas costeiros são compostos por três zonas interconectadas: a duna (acima da linha da maré alta), a faixa de areia exposta (durante a maré baixa) e a zona submersa, onde as ondas começam a quebrar. Essas áreas trocam sedimentos continuamente, mantendo o equilíbrio natural da costa.

Defeo explica que a urbanização desorganizada rompe esse ciclo. A retirada de dunas, por exemplo, compromete a função de amortecimento natural das tempestades, o que aumenta o risco para as construções à beira-mar. “Quando a urbanização elimina a duna, o resultado pode ser a destruição de casas litorâneas”, afirma o pesquisador.

Estudo no Brasil mostra impacto direto da ocupação urbana

Um dos estudos citados, conduzido pelo pesquisador brasileiro Guilherme Corte, analisou 90 pontos em 30 praias no litoral norte de São Paulo. Os dados mostram que o aumento do número de frequentadores tem efeito direto na biodiversidade das zonas submersas, reduzindo a diversidade e a biomassa das espécies marinhas.

Além disso, práticas como a limpeza mecânica das praias e construções erguidas diretamente sobre a areia também foram associadas à perda de biodiversidade. Segundo Defeo, os impactos “não se limitam ao local onde ocorrem”, afetando toda a cadeia ecológica do sistema.

Levantamento global identifica erosão severa em 20% das praias

Outro levantamento, liderado por Defeo e publicado na revista Frontiers in Marine Science, avaliou 315 praias ao redor do mundo. O estudo identificou que uma em cada cinco sofre com erosão intensa, extrema ou severa. As causas incluem não apenas o aumento do nível do mar, mas também alterações nos padrões de vento e no comportamento das ondas, agravadas por ações humanas.

O estudo destacou ainda que praias com características morfológicas específicas, como as chamadas “reflexivas” (com declive acentuado), são mais vulneráveis à ação das ondas e à erosão quando pressionadas por intervenções humanas.

Por: Diogo Rodriguez

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