Jensen Huang acredita que agentes de inteligência artificial farão parte das equipes empresariais, exigindo até processos de integração cultural
Jensen Huang, CEO da Nvidia, declarou recentemente que o futuro do mercado de trabalho será formado pela colaboração entre seres humanos e agentes de inteligência artificial. A previsão foi feita durante entrevista à Citadel Securities, segundo a revista Fortune. Para o executivo, empresas passarão a contratar ou licenciar “humanos digitais”, sistemas autônomos com capacidades especializadas, para atuar lado a lado com os trabalhadores tradicionais.
Segundo Huang, esses agentes digitais poderão exercer funções como enfermagem, contabilidade, marketing e advocacia. O mercado potencial para esse tipo de trabalho pode movimentar trilhões de dólares, estima o executivo.
Cultura organizacional também será ensinada aos robôs
Na visão da Nvidia, os “colaboradores digitais” não apenas executarão tarefas técnicas, mas também precisarão passar por um processo de integração organizacional, semelhante ao onboarding aplicado a novos funcionários. “Digo ao nosso CIO que o setor de TI será o RH dos agentes de IA no futuro”, afirmou Huang à Fortune.
Ele explicou que, assim como qualquer funcionário humano, os robôs precisarão assimilar a cultura, filosofia e práticas da empresa. Na Nvidia, inclusive, o número de agentes de IA voltados à segurança cibernética já supera o de funcionários humanos nessa área.
Outros nomes relevantes do setor de tecnologia compartilham a perspectiva de Huang. No Fórum Econômico Mundial deste ano, em Davos, Marc Benioff, da Salesforce, afirmou que a geração atual de líderes será a última a comandar equipes compostas exclusivamente por humanos.
Já Dario Amodei, CEO da Anthropic, alertou que, até 2027, sistemas de IA poderão superar humanos na maioria das tarefas, o que poderá resultar na extinção de cerca de 50% dos empregos de nível inicial em áreas administrativas.
Um levantamento da KPMG citado pela Fortune indica que o uso de agentes de IA nas empresas triplicou desde o fim de 2024. A pesquisa também revela que 82% dos líderes empresariais acreditam que esses agentes se tornarão valiosos nos próximos 12 meses e transformarão completamente o ambiente corporativo até 2027.
Todd Lohr, diretor de ecossistemas da KPMG, reforça que essa tendência exige mais do que a adoção de novas tecnologias. Para ele, trata-se de uma “transformação fundamental dos negócios”, que implicará repensar a forma como o trabalho é realizado e avaliado.
Além disso, 87% dos executivos ouvidos pela consultoria acreditam que será necessário redefinir os indicadores de desempenho e requalificar funcionários para funções menos suscetíveis à automação.
Por: Diogo Rodriguez


