quinta-feira, 23 abril, 2026
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Ingenico aposta em pagamento por biometria da palma da mão no Brasil

Tecnologia capta os padrões únicos das veias da palma da mão por meio de sensores com luz infravermelha e dispensa o uso de celular ou cartão físico

A Ingenico, em parceria com a Cielo, concluiu no Brasil os testes do sistema de pagamento biométrico “Palm Vein”, que permite aos consumidores efetuarem pagamentos com a palma da mão. Agora, a empresa estuda como dar escala à tecnologia no país.

A solução, chamada “PalmSecure” e desenvolvida pela Fulcrum Biometrics (Fujitsu), capta os padrões únicos das veias da palma da mão por meio de sensores com luz infravermelha. O leitor biométrico é acoplado aos terminais da Ingenico, e todo o ecossistema de pagamentos é operado pela Cielo.

“A Ingenico está sempre tentando inovar em tecnologia. Atuamos em meios de pagamento, um setor bastante competitivo e desenvolvido, especialmente no Brasil, que tem o Pix como exemplo para o mundo inteiro”, diz Marin Mignot, CEO global da Ingenico.

Segundo o executivo, o diferencial da biometria da palma da mão está na praticidade, sem necessidade de celular ou cartão físico. “Não precisa de nada. Mesmo que sua mão esteja suada, um pouco suja, não importa, porque o infravermelho vai buscar as veias que estão por trás”, explica.

Os testes ocorreram durante o mês de junho em uma lanchonete na sede da Cielo, em Barueri (SP), por meio do Garagem, hub de inovação da empresa. Cerca de 70 pessoas participaram, realizando transações em débito e crédito.

De acordo com Mignot, os primeiros feedbacks foram positivos. “Os usuários ficaram impressionados com a facilidade, porque realmente tem que fazer um primeiro cadastro e depois é só usar a mão. Eu acho que o pessoal esperava um processo mais lento, mas é muito fácil e rápido.”

José Barletta, diretor técnico da Ingenico, explica que os dados biométricos são “tokenizados” — ou seja, transformados em um código criptografado — e armazenados em um centro de segurança. Mesmo em caso de vazamento, esses dados não podem ser usados para fraudes, diferentemente da biometria facial, que pode ser manipulada com fotos adulteradas por meio de “deepfake”.

Além da segurança, a solução pode ajudar a reduzir filas em restaurantes e supermercados. “Você está cadastrado, não precisa levar nada. É só, por exemplo, o CPF, palma da mão, e vai embora, acabou. É muito rápido o processo. Foi o que a gente percebeu nos testes com a Cielo”, diz Barletta.

A Ingenico agora estuda como dar escala à tecnologia. “É uma nova discussão que a gente tem que fazer: como escalar do piloto para colocar em produção. Eu imagino que no fim do ano, início do ano que vem, mas isso ainda está em aberto”, diz Mignot.

A biometria da palma da mão é uma das apostas globais da Ingenico para o futuro dos meios de pagamento. Além do Brasil, a tecnologia também está sendo testada nos Estados Unidos, França e Uruguai.

“Quando a gente fala em facilitar o comércio, é realmente para todo o segmento. A gente pensa na usabilidade do cliente final, do ‘merchant’ e do banco. Olhando para todo esse ecossistema, buscamos levar inovação que permita a todos desenvolverem melhor suas atividades”, diz Mignot.

Por: Lais Godinho, Valor Econômico

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