As máquinas estão, mais uma vez, ampliando a capacidade humana. Exoesqueletos aliviam o peso de tarefas repetitivas, a IA generativa permite a um profissional se expressar em linguagens que nunca aprendeu e monitores gigantes proporcionam uma imersão em mundos paralelos: conheça as tecnologias que vão nos ajudar em 2035
A divisão entre humanos e máquinas, estabelecida há dois séculos na Revolução Industrial, está caindo por terra. Grandes máquinas, antes confinadas ao ambiente controlado da indústria, agora chegam às ruas – ou, no caso da Advance Construction Robotics, ao canteiro de obras. Robôs humanóides, como os da Boston Dynamics, conseguem desempenhar atividades que exigem sofisticação de movimentos, como carregar pacotes.
Mas as máquinas também estão, mais uma vez, ampliando a capacidade humana. Exoesqueletos, como os da German Bionic, aliviam o peso de tarefas repetitivas, preservando o tempo da interação com clientes. A IA generativa permite a um profissional se expressar em linguagens que ele nunca aprendeu. Com o app da Captions, é possível gravar vídeos em mandarim: o software recria a sua voz em outro idioma e ajusta, na imagem, o movimento dos lábios. O CEO da Baidu afirma que em breve poderemos conversar com as máquinas, programando software como uma diretora de teatro orienta os atores em cima do palco.
O monitor de vídeo da Brelyon leva o usuário para dentro das imagens, ao recriar o brilho de cada pixel conforme o ponto de vista. A webcam Logitech transporta quem está remoto para dentro da reunião, ao olhar para o lado e fechar o foco em quem estiver falando. E os treinamentos de realidade virtual da Labster conduzem o enfermeiro para perto de pessoas que ele raramente ou nunca viu – diferentes em idade, etnia, condição de saúde ou realidade financeira – a fim de exercitar a empatia. A tecnologia pode ajudar os humanos a serem mais humanos.
Confira alguns números do setor, segundo as consultorias McKinsey e Oliver Wyman:
- 48% do total de horas de trabalho na União Europeia e 45% nos Estados Unidos serão desempenhados por inteligência artificial em 2035
- US$ 35 bilhões é a estimativa para o mercado global de robôs com inteligência artificial em 2030, com um crescimento de 20% ao ano até lá
- 92 milhões de postos de trabalho serão remotos em 2030, um crescimento de 25% em relação a 2024, segundo o Fórum Econômico Mundial
- 41% dos ganhos em inovação e 39% dos ganhos em produção em 2028 serão resultado do uso da IA.
Confira 20 empresas que estão mudando o futuro do trabalho
Braço forte, mão amiga
German Bionic
Alemanha
2017
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A página de apresentação do exoesqueleto Apogee, fabricado pela German Bionic, mostra uma enfermeira vestindo o equipamento e caminhando por um corredor de hospital. Assim como a enfermagem, muitos trabalhos envolvem esforço intenso e repetitivo, que podem provocar lesões nos profissionais. Ao mesmo tempo, requerem empatia, calor humano e sensibilidade na tomada de decisões. A German Bionic quer liberar os funcionários da parte física, para que possam se dedicar à parte humana. A empresa divide seus exoesqueletos em duas vertentes: cuidados de saúde e industriais (e esta se desdobra em construção civil, carregamento de bagagens e logística de alimentos).
Mergulho autônomo
Brelyon
Estados Unidos
2019
O monitor gigante da Brelyon promete promover, com uma tela de 122 polegadas, uma imersão em um mundo paralelo, sem os incômodos dos óculos de realidade virtual. Para criar a sensação de profundidade, o ponto de partida é uma tela curva de altíssima resolução, de LED orgânico, que cobre um campo de visão de 107 graus. Mas o salto tecnológico está no processamento das imagens: a IA permite recriar o brilho de cada LED para refletir o ponto de vista do observador. “Nosso objetivo é levar imersão sem esforço para cada mesa e cadeira”, diz o CEO, Barmak Heshmat.
A fábrica na rua
Advanced Construction Robotics
Estados Unidos
2016
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Desde a Revolução Industrial, um maquinário pesado desempenha trabalhos extremamente padronizados dentro das fábricas. A produção externa, menos passível de padronização, é feita por humanos operando ferramentas e máquinas. Essa divisão do trabalho está mudando, conforme a fábrica chega às ruas. A Advanced Construction Robotics desenvolve maquinário pesado adaptável ao ambiente, para obras como uma nova pista encomendada pela Nasa. O IronBOT distribui vergalhões para a construção de lajes de edifícios e estradas. Da chegada ao canteiro de obras até a operação, bastam quatro horas – o robô se ajusta ao projeto automaticamente. Seu parceiro, TyBOT, amarra vergalhões, transformando-os em uma grande malha. Sozinho, ele se posiciona na obra, identifica quais cruzamentos de vergalhões precisam de amarração e então faz o serviço, a um ritmo acima de 1,2 mil costuras por hora. “Nossos produtos estão redefinindo o setor, enquanto oferecem novas oportunidades de criação e retenção de empregos”, diz a CEO, Danielle Proctor.
IA para todos
Hugging Face
Estados Unidos
2016
Seguindo uma das maiores tendências do mercado, a Hugging Face fornece modelos de código aberto de IA, que podem ser adaptados pelas empresas. Com essa fórmula, conquistou aportes do Google, Amazon, Nvidia, AMD e Salesforce.
Dos robôs à computação quântica
Nvidia
Estados Unidos
1993
Em 2025, Jensen Huang anunciou sua determinação em investir na IA física, basicamente “ensinando” máquinas a entenderem melhor o mundo real. Uma das principais novidades nesse sentido é a Nvidia Cosmos, uma plataforma capaz de treinar robôs para realizar diversas atividades ao mesmo tempo e – o mais importante – lidar com as incertezas que surgem no caminho. Com isso, a Nvidia espera ajudar a colocar “bilhões” de robôs no mercado em pouco tempo. Na área de robótica, a empresa já fez parcerias com players importantes como Agility, Neura Robotics e XPeng. “Criamos a Cosmos para popularizar a IA física e colocar a robótica ao alcance de todos os desenvolvedores”, disse Huang, durante a CES 2025. Outra aposta do CEO é a intersecção entre IA e computação quântica. O novo Centro de Pesquisa Quântica Acelerada da Nvidia, que deve começar a operar ainda este ano em Boston, vai integrar hardware quântico com supercomputadores de IA. “Com essa junção será possível enfrentar alguns dos problemas cruciais do mundo”, afirma Huang, no site da empresa.
Máquinas pensantes
Figure
Estados Unidos
2022
A startup afirma que está desenvolvendo o primeiro robô humanoide que pode “realmente pensar por si mesmo”. Segundo o CEO, Brett Adcock, o Figure 02, apresentado ao mundo em agosto de 2024, poderá realizar de 80% a 90% das tarefas manuais humanas. A ideia é que os humanoides sejam usados em tarefas complexas nos setores de manufatura, logística e automotivo. No futuro projetado por Adcock, todos terão um robô humanoide, inclusive para tarefas domésticas. Dinheiro para criar tudo isso não deve faltar. No ano passado, a Figure levantou US$ 675 milhões em aportes da Microsoft, OpenAI e Nvidia.
O bailarino do futuro
Boston Dynamics
Estados Unidos
1992
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Centros de logística são pouco afeitos à automação, com pacotes de pesos e volumes variados, e interação entre muitos indivíduos. Ao mesmo tempo, trata-se de um dos ambientes mais estressantes para os humanos. Robôs versáteis, como os da Boston Dynamics, vão transformar as funções que pedem algum esforço e muita consciência corporal. Spot, um cachorrinho robótico capaz de recobrar o equilíbrio de maneira dinâmica, consegue levantar 14 quilos e abrir maçanetas com seu braço mecânico. Stretch tem menos mobilidade e mais força, podendo levantar centenas de caixas por hora. O robô humanoide Atlas levanta 20 quilos e se comporta como seus pares em filmes de ficção científica: faz parkour, dá estrela e dança break melhor do que muito atleta olímpico. Aos poucos, com muito treino, os robôs estão aprendendo as melhores formas de realizar tarefas. “Há um certo medo de que os robôs saiam do controle e dominem o mundo. Não acho isso uma preocupação séria”, diz o chairman, Marc Raibert.
Crescimento explosivo
Anysphere
Estados Unidos
2022
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Nenhum produto de software teve crescimento mais rápido nos últimos 12 meses do que o assistente de codificação para empresas da Anysphere. O Cursor, que usa IA para finalizar linhas, detectar erros e gerar blocos inteiros de código para desenvolvedores, atingiu 1 milhão de usuários em março. A Samsung é cliente.
Avanço quântico
Microsoft
Estados Unidos
1975
O Majorana 1 é um processador quântico com topocondutores – material que permite criar a supercondutividade topológica, um estado da matéria que até agora só existia na teoria. Com essa evolução, a Microsoft espera fabricar computadores quânticos mais estáveis e com menor consumo de energia.
IA só onde faz sentido
Anthropic
Estados Unidos
2021
A Anthropic aposta numa IA que, de fato, torne a experiência do usuário mais descomplicada. Seu modelo mais recente, o Claude 3.7 Sonnet, é um sistema de “raciocínio híbrido”, permitindo às pessoas decidirem se querem que ele gaste mais ou menos tempo analisando uma resposta.
Evolução das espécies
Sakana AI
Japão
2023
A startup lidera uma nova tendência: a criação de modelos de IA a partir dos já existentes. Com base em conceitos científicos como seleção natural, a empresa acredita que, no futuro, os modelos de linguagem irão herdar automaticamente os traços mais marcantes dos anteriores. A AWS concorda e apoia.
Oportunidades de inovação
Iprova
Suíça
2010
E se a IA for usada não para responder perguntas dos humanos, mas, ao contrário, para perguntar? É o que faz a Iprova. Sua IA vasculha bancos de patentes em busca de oportunidades de inovação e negócios. Atende clientes como Bosch, Panasonic, DuPont, ABB, Sony, EDF e Philips.
Macrochip no lugar do microship
Cerebras Systems
Estados Unidos
2015
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Em 2024, a Cerebras lançou o Wafer Scale Engine 3: um chip gigante, 52 vezes maior e com 800 vezes mais memória que a GPU da Nvidia. Segundo a empresa, o tamanho é uma forma eficiente de ganhar velocidade de processamento para inteligência artificial. “Queremos fazer algo 150 vezes mais rápido e que consuma três watts, em vez de 30”, disse o CEO, Andrew Feldman, no começo de abril, ao assinar um contrato de US$ 45 milhões com a Darpa (agência do departamento de defesa dos Estados Unidos). “Levamos a ideia para a agência porque eles têm a reputação de financiar projetos extremamente difíceis e transformadores.”
Outro lado da força
Google
Estados Unidos
1998
A computação quântica é vista por muitos como o futuro da tecnologia. Mas sempre foi encarada como um cavalo indomável, com tendência a multiplicar seus erros. Até que, em dezembro, o Google apresentou o Willow – o primeiro computador quântico que reduz erros exponencialmente à medida que aumentam os qubits. “Isso resolve um dos principais desafios da área”, disse Hartmut Neven, fundador e chefe da Google Quantum AI. O Willow resolveu em cinco minutos um teste que um dos supercomputadores mais poderosos da atualidade resolveria em 10 septilhões de anos.
Sem supervisão
Manus
China
2025
O Manus está causando barulho por ser o primeiro agente de IA totalmente autônomo do mundo, planejando e executando tarefas de forma independente. Da análise de operações financeiras à triagem de candidatos, ele toma decisões sem supervisão humana.
Auxílio luxuoso
Thinkerbell Labs
Índia
2016
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É difícil aprender uma linguagem inclusiva como o braille quando faltam professores e estímulos. Com o apoio do Google for Startups, a indiana Thinkerbell Labs criou a Annie, um equipamento que mistura Genius e Duolingo. Toque as bolinhas na sequência certa e escute um elogio.
Programar é falar
Baidu
China
2000
A era da inteligência artificial costuma valorizar os profissionais com maior aptidão para ciências exatas, como engenheiros e cientistas da computação, capazes de programar softwares complexos, certo? Isso pode ser verdade hoje, conforme indicam os altos salários pagos aos profissionais de tecnologia da informação. Mas essa realidade está prestes a mudar. Quem diz isso é Robin Li, fundador e CEO da big tech chinesa Baidu, uma das maiores potências de IA do mundo. Formado em ciência da computação, Li aposta que a IA generativa permitirá que pessoas comuns, sem formação técnica, atuem como programadores. “Qualquer profissional que sabe falar uma linguagem natural, como inglês ou chinês, poderá ter a capacidade de um engenheiro de software”, afirma. À medida que as máquinas aprenderem a falar a língua dos humanos, o diferencial estará menos no domínio do código e mais na capacidade de imaginar soluções criativas e eficazes para problemas complexos.
Corrida da IAG
DeepSeek
China
2023
Em janeiro, a DeepSeek revolucionou a IA generativa ao provar que é possível fazer um chatbot avançado com investimento bem mais baixo que o das big techs americanas. De lá para cá, a empresa chinesa vem apostando em modelos com melhorias expressivas em áreas como raciocínio e capacidade de codificação. O grande objetivo da empresa, no entanto, é criar a inteligência artificial geral antes dos americanos. “Pode demorar alguns anos, mas vamos chegar lá”, disse Liang Wenfeng, fundador da DeepSeek, em janeiro.
Quem lê tanta notícia?
Huawei
China
1987
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Inteligência artificial, redes 5G e 6G e internet das coisas vão levar o mundo a gerar 1 yottabyte (1 trilhão de terabytes) de dados, anualmente, por volta de 2030. Acessar esse acervo parece um desafio inalcançável para servidores que ainda usam tecnologias dos anos 1950, como HDs e fitas magnéticas. Apesar de confiáveis e baratas e com baixo consumo de energia, essas formas de armazenamento têm leitura e gravação de dados lentas. “A eficiência das GPUs dos data centers fica abaixo de 50%, porque elas passam a maior parte do tempo esperando o carregamento de dados”, afirma Peter Zhou, presidente da área de armazenamento de dados da Huawei. “Achamos que é a hora de definir a nova geração de armazenamento.” A empresa está desenvolvendo servidores com memória flash, como a utilizada em smartphones, com menor uso de energia do que o necessário para sustentar HDs e fitas magnéticas.
Mais inteligentes que nós
OpenAI
Estados Unidos
2015
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Depois de deflagrar a corrida da IA generativa em 2022, agora a OpenAI promete ser uma das primeiras a colocar no mundo a inteligência artificial geral (IAG). Ainda em desenvolvimento, a IAG é definida como um conjunto de sistemas tão ou mais inteligentes que os seres humanos, capazes de executar tarefas intelectuais complexas. “Confiamos estar no caminho certo para desenvolver a IAG”, escreveu o CEO, Sam Altman, em seu blog, em janeiro deste ano. Segundo ele, o futuro que se aproxima será “glorioso”, equipado com ferramentas superinteligentes que podem acelerar a ciência e a inovação “muito além do que somos capazes de fazer sozinhos, aumentando a abundância e a prosperidade”. Resta saber se a OpenAI será capaz de bater a Google Deep Mind, que também se diz bem próxima de alcançar a IAG. A rodada de US$ 40 bilhões recebida em abril (o maior aporte já feito em uma empresa privada de tecnologia) deve ajudar bastante.
Alô, quem fala?
Logitech
Suíça
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Um incômodo das reuniões híbridas é não conseguir enxergar direito todas as pessoas sentadas em torno da mesa. A câmera auxiliar Sight, equipada com duas lentes que ampliam o campo de visão da sala, faz com que todos os participantes sejam vistos com clareza, mesmo aqueles mais distantes da câmera principal.
Liberdade de expressão
Captions
Estados Unidos
2021
O Captions tem ferramentas simples para transformar sua mensagem de texto em uma apresentação de vídeo. O cenário não está ideal? Ele cria. O cabelo acordou indomável? Ele faz um avatar. Você não fala chinês? Ele gera legendas – ou cria a sua voz em chinês e corrige o movimento dos lábios.
Oficina de empatia
Labster
Dinamarca
2011
Com simuladores de RV, a Labster faz enfermeiros conviverem com o que lhes é incômodo: pessoas de outra etnia, com ferimentos graves ou doenças contagiosas. Tudo para que, numa emergência, eles consigam olhar para o paciente com empatia – e não estranhamento.
Bloco camaleão
Lenovo
China
1984
A Lenovo criou um protótipo de notebook com uma tela transparente. Ideal para criadores, permite ao usuário interagir com um objeto em seu ambiente, em uma espécie de realidade aumentada. Com a ajuda de IA, e de uma caneta especial, é possível trabalhar em diferentes camadas na tela.
Mente brilhante
Q.ANT
Alemanha
2018
A Q.ANT lançou em abril o primeiro chip fotônico de IA do mercado. Ao trocar sinais elétricos por variações nas ondas de luz dentro da área de comunicação do chip, a empresa promete processadores 50 vezes mais rápidos que os tradicionais, e com um consumo de energia 30 vezes menor.
Por: Marcelo Moura e Clayton Melo


