quinta-feira, 23 abril, 2026
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‘Data Fast Track’: programa de inovação que combina dados e IA gera potencial de economia de R$ 70 mi em um ano à Nestlé

Com foco em agilidade e testes rápidos, iniciativa transforma dados em soluções tecnológicas para solucionar demandas de diversas áreas da multinacional

Já diria o ditado popular: grandes transformações acontecem de dentro para fora. Em grandes empresas, não é diferente. Para estimular mudanças internas, as organizações investem em programas de inovação para ouvir as dores de diferentes setores e ajudar a solucioná-las por meio da tecnologia.

A Nestlé é uma dessas companhias. No ano passado, a multinacional de alimentos lançou o Data Fast Track, programa de inovação que conecta uma equipe multidisciplinar de dados com diversas áreas de negócios. A iniciativa tem como objetivo combinar dados e inteligência artificial atender as necessidades da empresa em todo país.

De acordo com Brunno Ragonha, diretor de data science e analytics da Nestlé Brasil, o projeto de inovação interna surgiu dentro da área de análise de dados da empresa, chamada de DataLab. O setor conta com 100 profissionais internos e externos que desenvolvem projetos para diferentes áreas da empresa, mas principalmente para logística, vendas, recursos humanos e marketing.

Para organizar as demandas, o Data Fast Track conta com um formulário para envio das demandas pelos profissionais da Nestlé. Em média, 10 ideias são enviadas por mês, sendo que um deles é colocado em prática no período.

“Nosso objetivo é testar uma hipótese sem o receio de que algo pode dar errado. Afinal, errar faz parte do processo. A gente prioriza os projetos pelo impacto, necessidade e viabilidade técnica. Infelizmente, não conseguimos tocar todas as ideias que recebemos”, afirma Ragonha.

O Data Fast Track conta atualmente com 10 projetos em desenvolvimento e realizou sete provas de conceito em um ano, gerando um potencial de economia superior a R$ 70 milhões nas áreas de negócio da empresa.

Brunno Ragonha, diretor de data science e analytics da Nestlé Brasil — Foto: Divulgação
Brunno Ragonha, diretor de data science e analytics da Nestlé Brasil — Foto: Divulgação

‘Fail fast’

O diretor explica que o conceito do programa segue a metodologia ágil, em que falhar rápido (fail fast) é um dos principais princípios. Por este motivo, a equipe trabalha para testar uma hipótese e provar uma prova conceito (POC) ou criar um produto mínimo viável (MVP) em um período de apenas oito semanas. “Vamos entender rápido, vamos testar rápido, se funcionar, vamos escalar, se não funcionar, tentamos. Está tudo certo. Vamos para a próxima”, diz.

Um dos projetos que venceu os testes e foi operacionalizado pelo Data Fast Track foi o de concentração de compras de papelão pelo setor de logística. Ao criar um racional sobre a quantidade de pedidos e a quantidade de estoque do material, a equipe gerou uma economia potencial de R$ 1 milhão em um ano de operação do sistema tecnológico.

Considerado sucesso pela Nestlé, o projeto deve deixar de ser um MVP e se tornar produto estratégico dentro da empresa. “Com o software, a gente consegue entender todas as variáveis de custo e ponderar para chegar a um ponto ótimo. O conceito é simples, mas operacionalizar é mais difícil. E a gente sofre um pouco com as coisas que são simples. Por isso, essa esteira de inovação é importante”, argumenta Ragonha.

Por: Patrícia Basilio

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