sábado, 25 abril, 2026
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Pesquisadores desenvolvem teste genético que pode diagnosticar tumor cerebral em duas horas

Para reduzir intervalo de tempo de semanas para horas, cientistas utilizaram a chamada tecnologia de nanoporo

Pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, desenvolveram um novo método rápido para diagnosticar tumores cerebrais que pode reduzir o tempo de espera dos pacientes por tratamento e abrir caminho para novos tipos de terapia, segundo informações do jornal The Guardian.

“Tradicionalmente, o processo de diagnóstico de tumores cerebrais era lento e caro. Agora, com esta nova tecnologia, podemos fazer mais pelos pacientes, pois podemos obter respostas muito mais rapidamente, o que terá um impacto muito maior na tomada de decisões clínicas, em apenas duas horas. Os pacientes acham extremamente difícil esperar muitas semanas pelos resultados, o que aumenta a ansiedade e a preocupação em um momento que já é muito difícil”, disse Stuart Smith, neurocirurgião da Faculdade de Medicina da Universidade e do NUH (Nottingham University Hospitals).

Em artigo publicado na revista Neuro-Oncology, os autores da pesquisa relatam como utilizaram a chamada tecnologia de nanoporo para reduzir esse intervalo de tempo.

A abordagem é baseada em dispositivos que contêm membranas com centenas a milhares de poros minúsculos, cada um com uma corrente elétrica passando por ele. Quando o DNA se aproxima de um poro, ele é “desenrolado” em fitas simples. À medida que uma fita passa pelo poro, ela interrompe a corrente elétrica.

Crucialmente, os diferentes blocos que compõem o DNA – e modificações neles – interrompem essa corrente de formas características, permitindo que o DNA seja “lido”, ou sequenciado. Essas sequências são, então, comparadas com aquelas relacionadas a diferentes tipos de tumores cerebrais, por meio de um software desenvolvido pela equipe.

Os pesquisadores inicialmente testaram a abordagem em 30 amostras já extraídas de pacientes anteriormente, e depois a aplicaram em 50 amostras no momento em que foram removidas.

Eles relataram que 24 (80%) e 45 (90%) dessas amostras, respectivamente, foram classificadas corretamente após 24 horas pelo novo método — uma taxa de sucesso comparável aos métodos tradicionais de testes genéticos. No entanto, 38 (76%) das 50 amostras coletadas de forma prospectiva foram classificadas com segurança em apenas uma hora, o que significa que o tempo entre a remoção da amostra e a obtenção dos resultados pelos cirurgiões pode ser de apenas duas horas.

O professor Matthew Loose, coautor da pesquisa, disse que o processo custa cerca de £ 400 por amostra (cerca de R$ 3.080), valor semelhante ao dos testes genéticos convencionais.

Embora Loose tenha dito que o principal objetivo é garantir que as informações estejam disponíveis quando o paciente for novamente discutido pela equipe médica, geralmente na mesma semana, ele também destacou que os resultados rápidos podem indicar se uma cirurgia mais agressiva é necessária enquanto o paciente ainda está na mesa de operação — ou se a cirurgia provavelmente trará pouco benefício.

“Se for possível identificar, como acreditamos ser viável, o tipo específico de tumor com rapidez suficiente, e se existirem medicamentos que possam ser administrados durante a cirurgia diretamente na área do tumor, então abrimos uma nova classe de opções de tratamento”, afirmou.

Além disso, segundo ele, diagnósticos rápidos podem ajudar a garantir que os pacientes sejam incluídos em ensaios clínicos relevantes para novos tratamentos o mais rápido possível.

Por: Thâmara Kaoru

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