A cibersegurança é uma batalha constante, e não podemos esquecer que, por trás das máquinas, existem pessoas que dedicam suas vidas a proteger nossos dados e sistemas. Cuidar dessas pessoas é cuidar do futuro da segurança digital
Imagine um profissional de segurança da informação com olhos fixos em múltiplas telas, inundado por alertas incessantes, a maioria falsos positivos. Ele luta contra a exaustão, sob pressão constante. Esse cenário de sobrecarga, com a sensação de estar sempre correndo atrás do prejuízo, é um caminho comum para o burnout – um estado de esgotamento físico e mental relacionado ao trabalho.
A síndrome do burnout não afeta apenas o indivíduo, mas também compromete a segurança de toda a empresa. Equipes sobrecarregadas, muitas vezes reduzidas devido à dificuldade de recrutamento e retenção de talentos, tornam-se mais vulneráveis a falhas. Uma pesquisa recente da Kaspersky confirma essa realidade: 40% das empresas têm equipes de cibersegurança incompletas. Profissionais experientes são difíceis de encontrar, recrutar e reter devido à alta demanda e oferta limitada – no caso da América Latina, 80% dos cargos em diferentes posições só são preenchidos após 4 a 6 meses, e 85% desses funcionários saem da empresa em até dois anos.
O estudo também mostra que 59% dos profissionais pensam em deixar seus cargos por falta de perspectivas. A falta de apoio da gestão e o trabalho monótono também são fatores significativos, fazendo com que 50% e 49%, respectivamente, desistam de seus cargos. Altos níveis de estresse e políticas de trabalho inflexíveis contribuem ainda mais para a rotatividade. A corrida por talentos é feroz, e reter profissionais experientes é um desafio imenso. Afinal, quem quer viver em constante estado de alerta, sem reconhecimento e com tecnologias defasadas?
A solução? Não existe bala de prata, mas, sim, uma mudança de mentalidade. Pesquisas mostram que resultados estão diretamente ligados à felicidade dos colaboradores, e isso inclui automatizar tarefas repetitivas, oferecer treinamentos relevantes, criar uma cultura de reconhecimento e valorização, e, principalmente, ouvir as necessidades das equipes. Não se trata de mimos, mas de estratégia. Profissionais motivados, descansados e com as ferramentas certas são a melhor defesa contra as ciberameaças.
A cibersegurança é uma batalha constante, e não podemos esquecer que, por trás das máquinas, existem pessoas que dedicam suas vidas a proteger nossos dados e sistemas. Cuidar dessas pessoas é cuidar do futuro da segurança digital. É investir em um ecossistema mais resiliente, preparado para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais conectado. Afinal, investir em pessoas é investir na própria segurança.
Por Claudio Martinelli, diretor-geral da Kaspersky para a América Latina