Pesquisadores das universidades Northwestern e Illinois Urbana-Champaign, ambas nos Estados Unidos, desenvolveram robôs biohíbridos que conseguem se locomover com facilidade, utilizando partes mecânicas e músculos de ratos criados em laboratório.
Segundo os cientistas envolvidos no projeto, esses pequenos robôs biológicos são alimentados por tecidos musculares de camundongos, cultivados em um esqueleto leve e funcional feito à base de um polímero plástico macio, fabricado em uma impressora 3D convencional.
“A integração da microeletrônica permite a fusão do mundo biológico e do mundo da eletrônica, ambos com muitas vantagens próprias, para produzir biorrobôs e máquinas que podem ser úteis para muitas aplicações médicas, ambientais e de detecção no futuro”, explica o o professor de bioengenharia Rashid Bashir, coautor do estudo.
Robôs biohíbridos
Os robôs biohíbridos funcionam a partir da junção de partes artificiais e vivas, abrangendo desde insetos projetados com partes ciborgues até microrganismos controlados remotamente ou veículos mecânicos movidos por meio de tecidos musculares.
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Esses novos bots biológicos combinam três componentes principais em um mesmo dispositivo: células musculares de camundongos, estruturas macias impressas em 3D — chamadas de andaimes — e chips de controle de LED sem fio. Esses chips usam luz para estimular o tecido orgânico e, à medida que os músculos se contraem, o sistema faz o robô se mover na direção desejada.
“Utilizando essa abordagem simples, nós conseguimos atingir velocidades de até 0,83 milímetro por segundo. Isso não é exatamente um carro de corrida, mas é a velocidade mais rápida já alcançada até agora por um robô biohíbrido”, acrescenta o engenheiro mecânico Mattia Gazzola, coautor do projeto.
Liberdade de movimentos
Para dar aos biobots a capacidade de se movimentarem livremente pelo ambiente, os pesquisadores decidiram eliminar baterias volumosas e fios de amarração. Os robôs usam uma bobina receptora para colher energia e fornecer uma tensão de saída regulada para alimentar os LEDs de controle.
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Utilizando essa mobilidade e uma base biológica, esses robôs podem, por exemplo, empregar células vivas para sentir ou reagir naturalmente a certos estímulos, como luz, calor ou produtos químicos, sem precisar serem programados, permitindo a detecção de toxinas no ambiente ou atuando como biomarcadores de doenças.
“Ao desenvolver o primeiro robô bioeletrônico híbrido, estamos abrindo a porta para um novo paradigma de aplicações para inovação em saúde, como biópsias e análises in-situ, cirurgias minimamente invasivas ou até mesmo a detecção de tumores no corpo humano”, encerra o professor de engenharia biomédica Zhengwei Li, autor principal do estudo.
Fonte: Universidade de Illinois
Por: Gustavo Minari


